Ellas são o elo entre a música e a resistência




LINDA GREEN
Por Laura Stetner
Cecília Lindgren é natural de Brasília, DJ e produtora de coração e administradora de formação. A produção de eventos fez parte da vida da artista por 16 anos, mas foi há 7 que ela decidiu se dedicar apenas à arte da discotecagem.
Além de ter feito trabalhos paralelos como a festa House of Divas, a participação na Uh! Manas TV e o cargo na super transante Pornograffiti.
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Essa música é fruto da colaboração entre Linda Green e Raiany Sinara para o álbum V.Acina, Vol. 2 da Gop Tun.
ELLAS LIDERANDO
Durante toda sua trajetória profissional, desde as salas de aula no curso de Administração até o mundo das festas e da noite, Linda afirma ter encontrado um cenário majoritariamente masculino, e quando não, com poucas mulheres em posições de liderança.
Ela produzia, junto às DJs Andrea Gram e Amanda Mussi, um projeto voltado à valorização da mulher no mercado da música eletrônica, a festa House of Divas.
Elas não foram as primeiras e nem as últimas. Antes delas, muitos outros coletivos femininos existiram no Brasil e no mundo, como o female:pressure (Europa), Sintética (BH), Greta (Porto Alegre), As Novinha tão Disney (Brasília), Tetatronica (Brasília) e DiscWoman (EUA).
Apesar de reconhecer o aumento de mulheres na cena desde os anos 2010, para Linda chegou um momento em que o projeto já não fazia tanto sentido, precisava de mais representatividade ali.

“Percebi que dentro do House of Divas a gente não abrangia nem o transfeminismo, nem o feminismo negro. Eram 3 mulheres brancas e cisgêneras, apesar de LGBT. [...] Foi perdendo o sentido, se fosse só aquilo, não passaria de um feminismo branco de classe média.”
Linda Green
Foto: Reprodução / Facebook
O fim do House of Divas não deixou as mulheres órfãs, pelo contrário, a mensagem do coletivo serve de inspiração para a geração que está chegando. Para Linda, não é mais uma disputa por espaço, e sim por igualdade.
Um exemplo do que veio depois foi o canal Uh! Manas TV, que nasceu na Twitch durante a pandemia, e hoje está independente no site www.uhmanastv.com. Elas se descrevem como um “canal de música com programação inteiramente composta por mulheres em busca de equidade, espaço e reconhecimento na cena musical”.
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Essa música foi feita para a Goma Rec.

ELLA: SONIA ABREU
A PRIMEIRA DJ MULHER DO BRASIL
Assim como o coletivo formado por Linda, Andrea e Amanda se tornou referência para quem está começando agora, a mais pura existência de uma mulher da força e presença de Sonia inspirou quem veio depois dela.
Sonia foi pioneira em diversas áreas da música e das comunicações. Foi cantora, radialista na extinta Excelsior, DJ, colunista - de música, claro! - chegou à TV, e quando acharam que não tinha mais onde inovar, veio ele, o programa Ondas Tropicais.
A rádio ambulante ‘Ondas Tropicais’, comandada por Sonia, viajou por terra, água e ar, virou até um trio elétrico. "Eu nunca pensei muito nesse lance de ser a primeira mulher DJ. Talvez os outros DJs subestimem a capacidade da mulher, mas eu nunca me preocupei", disse Sonia para Claudia Assef em sua biografia.
Linda conta com carinho sobre o dia em que passou a pista para Sonia “foi um prazer e um privilégio”. Esse foi o legado de Soniábrêu, como gostava de ser chamada.
Foto: Reprodução / Facebook
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Essa música foi responsável por introduzir Linda à música eletrônica.
QUEM FORMA LINDA?
Quais referências moldaram a identidade musical de Linda Green
As referências de Linda vão de divas pop como Mariah Carey e Madonna, a música clássica, que ouvia quando criança, a ritmos mais brasileiros, como forró e funk. Segundo Linda, sua cidade natal, Brasília, tem uma grande comunidade carioca, o que fez com que ela criasse raízes fortes com o funk.
A DJ vem compartilhando com o público um perfil sonoro fora dos padrões e livre de gêneros. Receptiva e cheia de facetas ecléticas, reafirma em seu trabalho a abertura para diversas vertentes musicais que trazem mixes intensos de sensações.
Apesar do receio com suas influências pop e funk, ritmos que nem sempre foram vistos como ‘cool’ para tocar, Linda seguiu firme com seu gosto e o que já foi motivo de insegurança, hoje se tornou parte da personalidade musical da artista e a distingue na multidão.




