Ellas são o elo entre a música e a resistência

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ELLA DE VUONO
Por Laura Stetner
Baseada em Campinas, Rafaella de Vuono é DJ e produtora há 10 anos. Ela tentou seguir o caminho da psicologia, mas se encontrou mesmo no mundo da discotecagem.
O foco na carreira a rendeu vitórias, como em 2012 quando venceu o Campeonato Nacional - Desafio DJ Brasil, promovido pela AIMEC (Academia Internacional de Música Eletrônica) ou em 2019, que entre mais de 300 candidatos, venceu o concurso Burn DJ Residency Brasil.
Além dos troféus, Ella foi também a primeira mulher a ter residência na conceituada festa paulistana Carlos Capslock.
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Essa música foi feita com o vocal da youtuber Jout Jout falando sobre assédio no carnaval.
"EU SÓ QUERIA FAZER UM SOM"
Ella conta o que influenciou suas múltiplas funções
Influência talvez não seja a palavra, e sim uma necessidade mercadológica. Por mais que a música seja uma arte feita por amor, é também um mercado. Durante alguns anos, Ella levou a discotecagem como hobby, até por falta de compreensão da família e da sociedade como um todo. Mas há 10 anos leva a carreira de DJ a sério e vem crescendo nesse meio.
Além de DJ, Ella é produtora, gerencia sua carreira, é professora, e mais recentemente criou sua própria gravadora, a Diversall, junto de sua parceira Maíra Gracini. Segundo ela, o mercado tem suas limitações, como as travas de grandes labels para lançar música, por isso, muitas vezes, a única opção é criar seu próprio negócio.

“Qualquer conquista eu penso no fato de eu ser mulher. É muito louco você pensar que você é a primeira da sua espécie a conquistar alguma coisa. Não deveria ser, por que a gente não tá em 1960, que inclusive foi ontem.”
Ella De Vuono, sobre ser a primeira mulher a vencer o Burn DJ Residency em 2019.
Foto: Bill Ranier
Há uma certa resistência nas mulheres para os aparatos tecnológicos. Ella atribui essa responsabilidade ao machismo estrutural enraizado, que faz com que a sociedade trate os seres humanos como apenas duais.
Um exemplo comum é a diferença ao oferecer brinquedos às crianças, meninas geralmente ficam com as bonecas e meninos com vídeo games. Isso, com o passar do tempo, fez com que a inserção de mulheres em mercados como o DJ, que necessita técnica em equipamentos tecnológicos, fosse mais difícil.
A falta de espaço para mulheres nas profissões faz com que elas tenham que ser multidisciplinares, e o sonho é que essa conversa deixe de ser pauta um dia, num mundo utópicamente igualitário.
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Essa música foi feita em colaboração com a artista Elisa Audi.

ELLAS SÃO PROFISSIONAIS
O conceito de diversidade é muito importante para Ella, abertamente LGBT, feminista e simpatizante de causas sociais. Para disponibilizar sua arte no mundo, criou a gravadora Diversall, - junção de diversity + all - com planos para abraçar todo tipo de sonoridade e oferecer liberdade para os artistas. Como exemplo de bom uso da diversidade, Ella cita a festa em que é residente, a Carlos Capslock.
Para a DJ, o profissionalismo no mercado é tão importante quanto o talento. Ela contou um pouco sobre o processo de avaliação das músicas para sua label: “Gostar da música é só 50%, os outros 50% é comprometimento profissional do artista, onde 30% é empenho e 20% é uma boa comunicação”.
A filtragem de artistas comprometidos e a busca de um trabalho profissional e diverso foi a forma que Ella encontrou de se inserir no mercado das gravadoras, além de suas outras funções.

“Eu gosto de tocar. Subir no palco e tocar. Tudo o que eu faço é para ter mais gigs para tocar. Precisa produzir? Bora produzir. É difícil lançar música? Então vou abrir meu label. [...] Os artistas são multifacetados, mas a maioria é por uma necessidade mercadológica [...] de não ter apenas uma fonte de renda.”
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Single lançado em 2021 pela Diversall.
QUEM FORMA ELLA?
BORN TO MAKE PEOPLE DANCE
Ella é apaixonada por Dance Music, o que é visível em seu repertório, com sonoridades inspiradas em Marvin Gaye e no estilo de discotecar de Marky.
Seu visual ousado nas apresentações, geralmente marcados por pinturas corporais da artista Silvia Campi, têm referências que vão de Madonna à Björk e Lady Gaga.
Kerri Chandler é um nome forte em sua paixão pelo House, assim como Laurent Garnier, Jayda G e Frankie Knuckles.
Fotos: Recreio Clubber



